teorias da verdade

1. A teoria da verdade como correspondência : defende que a verdade de uma dada frase, proposição ou crença se deve à circunstância de essa frase, proposição ou crença corresponder a um certo estado do mundo ou realidade, concebido(a) como algo que é independente da mente ou da linguagem: caso o conteúdo de uma dada frase corresponda a um dado estado do mundo ou realidade, a frase será verdadeira; caso contrário, será falsa. Dificuldades a) explicação do estatuto da realidade a que as frases, proposições ou crenças supostamente correspondem; b) inerente à própria noção de correspondência e ao modo correcto de conceber uma relação de correspondência entre frases, proposições ou crenças e estados do mundo.

 

2. A teoria pragmatista : postula que a verdade é a característica das frases ou proposições nas quais é útil acreditar. A verdade é, assim, definida em termos de utilidade, isto é, em termos daquilo que é desejável ou daquilo que tem consequências úteis ou agradáveis para aquele que crê na frase, ou proposição, tida por verdadeira. Dificuldades a) saber como é possível medir a utilidade das crenças; b) como fazê-lo evitando simultaneamente o relativismo; c) ao conectar a verdade com a utilidade, a teoria situa a noção de verdade no cerne de uma teoria da acção, assumindo que a crença verdadeira contribuirá para o êxito das acções, tornando-as, assim, úteis ou agradáveis. Ora, é contra-intuitivo que seja possível a cada agente determinar, em relação ao futuro, as consequências das suas acções (e a correlativa utilidade e agradabilidade), o que parece trazer dificuldades a uma teoria que faça delas depender um critério de verdade de crenças. (A teoria está intimamente ligada às éticas utilitaristas da escola americana – Peirce, James e Dewey.)

 

3. A teoria deflacionista : postula que a verdade não é uma propriedade genuína das frases e que a consideração da verdade enquanto propriedade de frases resulta de uma mera confusão linguística. A confusão a que aludem os seus defensores resulta do nosso uso habitual do predicado « é verdadeiro », que nos induz erradamente a concebê-lo como uma descrição de uma propriedade das frases (nomeadamente, a propriedade de serem verdadeiras ou falsas), quando, provavelmente, não lhe cabe mais do que o papel de enfatizar a aprovação ou assentimento do locutor a essas mesmas frases (isto é, como se fosse outro modo de dizer «concordo que…» ou de acenar com a cabeça para indicar anuência). Variantes : a teoriaverificacionista, a teoria descitacionista, a teoria de verdade como redundância ou a teoria de verdade de Tarski, e as considerações produzidas por autores continentais acerca do tópico (por exemplo, a teoria de verdade como desvelamento, de Heidegger). Dificuldades : a maior objecção à teoria funda-se em contra-exemplos perante os quais é difícil sustentar que a função de expressão « é verdade que p » seja apenas enfatizar a aprovação de p, parecendo o predicado, pelo contrário, deter algum papel semântico adicional, como no exemplo ” Todas as frases em que acredito são verdadeiras “.

 

4. A teoria coerentista : Considerando que as proposições são 1.º) aquilo que é objecto de crença e 2.º) as entidades portadoras de valores de verdade, os seus defensores sustentam que a verdade de uma proposição consiste na sua coerência com um certo conjunto especificado de proposições. Numa formulação um pouco mais técnica, a teoria coerentista defende que – Uma proposição P é verdadeira se, e somente se, é coerente com um conjunto especificado (C) de proposições. Dificuldades : a) saber como a coerência pode garantir o acordo com a realidade. Imaginemos que há justificação para acreditar numa dada proposição, mas que essa proposição é falsa (obviamente, à luz de outro critério que não o proposto pelos coerentistas). Estaríamos, assim, em presença de uma crença numa proposição falsa justificada, uma circunstância indesejada por um defensor da teoria coerentista como teoria de verdade; b) as crenças dizem-se coerentes em função das relações internas que os objectos a que respeitam supostamente mantêm entre si; mas a suposição de que os objectos mantêm entre si uma relação interna é igualmente uma crença. Assim, a coerência não se funda nos estados do mundo, como era suposto, mas numa crença na qual é coerente acreditar. Ora, isto é claramente circular.

Há dois aspectos que contrastam a teoria coerentista com a sua suposta rival teoria da correspondência :1. Em primeiro lugar, fornece uma explicação difer ente da relação entre as proposições e as suas condições de verdade – na teoria coerentista essa relação é de coerência; na teoria correspondentista a relação é de correspondência. 2. Em segundo lugar, a teoria fornece uma explicação diferente das próprias condições de verdade das proposições – na teoria coerentista, as condições de verdade de uma proposição são outras proposições; na teoria correspondentista, as condições de verdade das proposições são condições objectivas do mundo.

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tipos de argumentos

[1] Argumentos que garantem a verdade da conclusão, se as premissas forem verdadeiras

[1] Argumentos com mérito, particularmente agradáveis

1] Argumentos dedutivos válidos – atendendo à sua pretensão e atendendo à satisfação dessa pretensão

 

 

[2] Argumentos que não garantem a verdade da conclusão, mesmo sendo as premissas verdadeiras

[2.1] Argumentos com um mérito relativo pois, embora não garantam a verdade da conclusão (mesmo sendo as premissas verdadeiras), acontece que as premissas apoiam a conclusão no sentido de a tornarem plausível ou provável [2.1] Argumentos indutivos fortes [atendendo à satisfação da sua pretensão específica, a qual é mais modesta que a dos argumentos dedutivos]
Argumentos válidos [1]  

Argumentos inválidos [2]

Argumentos (simplesmente) bons [1]  

Argumentos relativamente bons [2.1]

Maus argumentos [2.2]

Argumentos dedutivos válidos [1]  

Argumentos indutivos fortes [2.1]

Argumentos indutivos fracos [2.2.1]

Argumentos dedutivos inválidos [2.2.2]

 

Sobre argumentos indutivosUm argumento indutivo é, em termos gerais, um argumento que tem por base a pretensão de que as premissas apoiam a conclusão, mas não a pretensão de que a verdade das premissas garante a verdade da conclusão (como acontece no caso dos argumentos dedutivos).Em termos mais específicos um argumento indutivo é(i) um argumento que tem por base a pretensão de que, dadas as premissas, é (apenas) plausível ou provável a conclusão ser verdadeira (ou, igualmente, a pretensão de que, dadas as premissas, é (apenas) implausível ou improvável a conclusão ser falsa);(ii) um argumento que tem por base a pretensão de que, dadas as premissas, a plausibilidade ou probabilidade da conclusão é maior do que a da negação da conclusão. [A probabilidade envolvida nesta definição designa-se probabilidade condicional na terminologia do cálculo de probabilidades. A fórmula para o seu cálculo é Prob(a|b) = Prob(a & b) : Prob(b).]Se a pretensão é satisfeita, esses argumentos dizem-se normalmente argumentos indutivamente fortes (por vezes indutivamente válidos); se a pretensão não é satisfeita, dizem-se argumentos indutivamente fracos (por vezes indutivamente inválidos).